Educação no século XXI

O avanço das tecnologias de informação e comunicação alargou horizontes, encurtou distâncias, apagou fronteiras. O conhecimento não está apenas nos livros, mas em toda parte, em todo lugar e a um clique de distância! O mundo mudou e a escola não pode ficar para trás, reproduzindo práticas do século XIX enquanto os alunos vivenciam o século XXI em toda a sua plenitude. É preciso repensar o papel da Educação neste “Admirável Mundo Novo” do ciberespaço, das redes sociais e da interatividade em tempo real.

E você, professor? Qual é o seu papel nesse cenário de mudanças tão rápidas e dramáticas? Se a sala de aula deixou de ser o lugar da mera transmissão e passou a ser um espaço de construção coletiva do conhecimento, o professor continua tendo uma importância decisiva na relação ensino-aprendizagem.

Afinal, em meio a tantas informações e estímulos com os quais os jovens são bombardeados no seu dia a dia, é preciso dar sentido ao que se vê, lê, ouve ou experimenta. Daí a necessidade cada vez maior da mediação consciente do professor, interagindo ativamente com os alunos para criar situações propícias para a aprendizagem significativa.

Não se trata mais de apenas transmitir conhecimentos, mas de contagiar, envolver e motivar os alunos, garantindo a aprendizagem, criando relações entre as diversas áreas do saber, ligando escola e vida e construindo pontes entre a sala de aula e o mundo para fora dos muros escolares.

 

Maya Reyes-Ricon. Encarte pedagógico

Em: Rodolpho Telarolli Junior. Epidemias no Brasil. Uma abordagem biológica e social. Ed: Moderna, 2012

Múltiplas inteligências e linguagens

Em 1983, o psicólogo norte-americano Howard Gardner propôs a existência das Inteligências Múltiplas, que caracterizam as diversas formas pelas quais as pessoas interagem com a informação para construir significado. Aplicada ao campo da Educação, esta teoria nos diz que quanto mais variadas forem as estratégias empregadas pelo professor em sua prática, maiores serão as chances de que os alunos estabeleçam relações significativas entre os conteúdos apresentados e as suas formas particulares e individuais de ver e entender o mundo.

Um livro pode (e deve!) gerar muito mais do que uma simples tarefa de leitura. Ele pode ser o ponto de partida para pesquisas, discussões, projetos, jogos, exibição de filmes, produção de textos, imagens e pequenas peças audiovisuais. Dessa forma, até mesmo os celulares, as câmeras digitais, os mp3 players, os videogames, os computadores e a internet deixam de ser concorrentes pela atenção dos estudantes e passam a ser incorporados naturalmente ao ambiente da sala de aula, sob a orientação consciente do professor.

Ao trabalhar com múltiplas linguagens, o professor também é capaz de estabelecer vínculos poderosos entre o que se aprende na escola e o que se vivencia no dia a dia, integrando os conteúdos escolares às práticas culturais e sociais que já fazem parte da vida de crianças e jovens. Porém, mais do que uma simples estratégia para envolver e motivar os alunos, a utilização de múltiplas linguagens em sala de aula também dá ao professor a oportunidade de reforçar valores como cooperação, tolerância, respeito à diversidade e construção da cidadania.

 

Maya Reyes-Ricon. Encarte pedagógico

Em: Rodolpho Telarolli Junior. Epidemias no Brasil. Uma abordagem biológica e social. Ed: Moderna, 2012

 

 

Escola e valores

Num contexto de crescente urbanização e pressão econômica, no qual pais, mães, tios e avós precisam trabalhar para manter a renda familiar, e no qual o trabalho (incluindo o deslocamento pela cidade) ocupa grande parte do dia a dia das pessoas, a maioria das crianças não dispõem mais de tanto tempo de convivência com figuras de referência na estrutura familiar, que tradicionalmente se responsabilizavam pela formação moral e a transmissão de valores, crenças e tradições.

Com isso, o ambiente escolar torna-se cada vez mais o espaço privilegiado de socialização para crianças e jovens. Afinal, é na escola que eles desenvolvem e estabelecem relações, exercitam e consolidam práticas sociais e, acima de tudo, constroem e aperfeiçoam os repertórios de valores, crenças e atitudes que vão embasar e nortear sua ação individual e coletiva. Nessa nova realidade, a escola assume uma importância que vai muito além da transmissão dos conteúdos, da construção dos conhecimentos ou da formação intelectual, tendo cada vez mais um papel fundamental na relação da criança com seus pares, com a sociedade e com o meio ambiente.

Claro que não se pode ignorar o impacto das novas tecnologias da informação e comunicação, que desestruturam e subvertem as antiquadas hierarquias na relação ensino-aprendizagem, trazendo para o primeiro plano as dimensões do protagonismo, da colaboração e da construção compartilhada do conhecimento.

Por tudo isso, em muitos aspectos, a escola vem sendo desafiada a se reciclar, a se reestruturar, a se reinventar. Afinal, o que a sociedade espera e precisa da escola no século XXI é a busca por um novo modelo educacional, uma proposta de Educação Integral, que contemple os mais diversos aspectos do desenvolvimento humano: físico, intelectual, afetivo, social, de crenças e valores.

Não é pequeno este desafio. E é, cada vez mais, um destino do qual a escola não pode escapar. Mas também é, ao mesmo tempo, uma valiosa oportunidade. Uma chance de ressignificação e revalorização da função social da escola. No fundo, para a escola de hoje, não basta apenas ensinar ou informar: é preciso formar.

 

Maya Reyes-Ricon. Encarte pedagógico

Em: Samuel Murgel Branco. Natureza e Seres Vivos. Ed: Moderna, 2013